Você já comprou um caderno lindo, ficou empolgada para começar a usá-lo e, algumas semanas depois, percebeu que ele estava esquecido em alguma gaveta?
Agora imagine fazer isso com um caderno que você comprou justamente para aprender a economizar dinheiro.
É meio contraditório, não é?
Mas pode acontecer.
Quando começamos a procurar um Kakebo, encontramos diferentes capas, tamanhos, divisões e maneiras de organizar as despesas. E, diante de tantas opções, surge uma dúvida bastante razoável:
Como escolher entre diferentes marcas de cadernos de Kakebo para uso pessoal?
A resposta não está necessariamente na marca, no preço ou na quantidade de páginas.
Está em entender qual formato combina com a sua rotina e com a maneira como você lida com o dinheiro.
E eu quero te propor uma coisa: antes de escolher um caderno para comprar, que tal experimentar o método por 30 dias usando algo que você já tem em casa?
Pode ser um caderno antigo, uma agenda esquecida ou algumas folhas de papel.
A ideia é descobrir primeiro se o Kakebo funciona para você. Depois, com um pouco mais de experiência, decidir se vale a pena investir em um caderno específico.
Como escolher entre diferentes marcas de cadernos de Kakebo?
Para escolher um caderno Kakebo para uso pessoal, compare principalmente cinco características: organização das páginas, facilidade para registrar despesas, espaço para reflexões, tamanho e preço.
Mais importante do que a marca é verificar se o caderno permite acompanhar o dinheiro que entra, registrar os gastos, estabelecer uma meta de economia e avaliar os resultados ao final do mês.
Alguns modelos oferecem mais espaço para anotações diárias. Outros priorizam resumos semanais, metas e reflexões. Também existem diferenças no tamanho, na encadernação e na apresentação das categorias de despesas.
Um caderno cheio de detalhes pode ser ótimo para quem gosta de registrar tudo. Mas pode se tornar cansativo para alguém que prefere dedicar apenas alguns minutos por dia às finanças.
Por outro lado, um modelo muito simples talvez não seja suficiente para quem deseja analisar os próprios hábitos com mais profundidade.
Então, antes de comparar marcas, vale fazer uma pergunta:
Você já sabe como gosta de acompanhar seu dinheiro?
Se a resposta for não, talvez ainda seja cedo para escolher um modelo definitivo.
E é aqui que entra o nosso experimento.
Antes de comprar um Kakebo, entenda o que você vai fazer com ele
O Kakebo, também conhecido como Kakeibo, é um método japonês de organização das finanças domésticas, associado ao trabalho da jornalista Hani Motoko, no início do século XX.
Sua proposta é simples: registrar receitas e despesas, planejar quanto deseja economizar e refletir sobre suas decisões financeiras.
Mas existe uma diferença importante entre ele e um caderno comum de anotações.
No Kakebo, você não registra apenas o que gastou. Você também observa seus hábitos e procura entender o que poderia fazer de maneira diferente.
Pense numa situação bem cotidiana.
Você abre o aplicativo do banco e percebe que gastou R$ 180 em delivery durante o mês.
O aplicativo mostra o valor. Talvez até apresente um gráfico bonito com a categoria alimentação.
Mas será que ele consegue explicar por que você pediu comida tantas vezes?
Foi falta de tempo? Cansaço? Vontade de comer algo diferente? Você simplesmente não tinha nada preparado em casa?
O Kakebo abre espaço para esse tipo de reflexão.
E, quando começamos a entender as razões por trás dos nossos gastos, fica mais fácil pensar em mudanças que realmente cabem na nossa rotina.
Isso não significa que o método seja melhor do que todos os aplicativos ou planilhas. Significa apenas que ele propõe uma experiência diferente.
Se você quiser entender melhor essa diferença, vale conhecer também nosso conteúdo sobre qual é a melhor ferramenta para controle de despesas mensais e como o Kakebo pode mudar essa escolha.
O desafio: experimente o Kakebo por 30 dias sem comprar nada
Vamos fazer um teste?
Durante os próximos 30 dias, você vai usar um caderno comum para experimentar uma versão simplificada do Kakebo.
Não precisa comprar material de papelaria, imprimir dezenas de páginas ou montar uma planilha complicada.
A proposta é descobrir três coisas:
Se você consegue manter o hábito de registrar seus gastos.
Quais informações realmente ajudam a entender seu dinheiro.
Que tipo de organização você gostaria de encontrar em um Kakebo pronto.
Não existe obrigação de economizar uma quantia específica durante o desafio. Se você estiver com o orçamento apertado, o primeiro objetivo pode ser simplesmente entender melhor suas despesas.
Semana 1: descubra para onde seu dinheiro está indo
Abra uma página do caderno e escreva o mês que está começando.
Em seguida, anote quanto dinheiro você espera receber e quais despesas já sabe que precisará pagar.
Aluguel, energia, internet, parcelas, supermercado e transporte são alguns exemplos.
Depois, reserve um espaço para os gastos do dia a dia.
Você pode começar com uma tabela assim:
Data | Despesa | Valor | Categoria |
02/10 | Café na padaria | R$ 12 | Extras |
03/10 | Supermercado | R$ 85 | Essenciais |
04/10 | Cinema | R$ 35 | Lazer |
05/10 | Remédio | R$ 24 | Imprevistos |
Valores fictícios, apenas para ilustrar.
Durante essa primeira semana, tente registrar os gastos sem se preocupar em mudar todos os seus hábitos de uma vez.
O objetivo é observar.
E aqui vai uma dica: se você esquecer de anotar alguma coisa, não precisa abandonar o desafio. Consulte seu extrato, recupere o que conseguir e continue.
Organização financeira não precisa virar uma competição de perfeição.
Semana 2: comece a perceber seus padrões
Agora que você já tem alguns registros, vamos olhar para eles com um pouco mais de atenção.
O Kakebo costuma trabalhar com grupos de despesas que ajudam a diferenciar necessidades, desejos e situações inesperadas.
Para nosso teste, vamos usar quatro categorias simples:
Essenciais: gastos necessários para manter a rotina, como alimentação básica, moradia e transporte.
Lazer e desejos: restaurantes, passeios, compras por vontade e entretenimento.
Cultura e aprendizado: livros, cursos, cinema e outras atividades ligadas ao desenvolvimento pessoal ou cultural.
Imprevistos: despesas inesperadas, como um reparo urgente ou um medicamento que você não planejava comprar.
Essas divisões são uma adaptação prática para o experimento. Você pode ajustá-las à sua realidade.
O interessante é começar a perceber quais categorias ocupam mais espaço no seu orçamento.
Talvez você descubra que o problema não está naquele cafezinho que compra de vez em quando, mas em uma despesa recorrente que já nem percebe.
Ou talvez encontre vários gastos pequenos que, juntos, representam uma quantia importante.
Não se trata de transformar tudo o que você gosta em um problema financeiro.
Trata-se de descobrir se o seu dinheiro está sendo usado de acordo com suas prioridades.
Semana 3: experimente planejar antes de gastar
Até aqui, você observou e registrou.
Agora vamos acrescentar uma etapa: decidir com antecedência quanto pretende gastar.
Escolha uma categoria que gostaria de acompanhar mais de perto.
Pode ser delivery, supermercado, compras pessoais ou lazer.
Imagine que você costuma gastar R$ 200 por mês com pedidos de comida e gostaria de tentar reduzir esse valor para R$ 150.
Em vez de simplesmente escrever a meta, pense no que precisaria mudar para alcançá-la.
Talvez preparar uma refeição a mais durante a semana. Talvez deixar alguma opção prática no congelador.
Ou talvez você perceba que o delivery não é a principal dificuldade do seu orçamento e que vale concentrar seus esforços em outra despesa.
O importante é que a decisão faça sentido para você.
Uma meta financeira só é útil quando considera a vida que você realmente leva.
Semana 4: descubra o que você aprendeu sobre seu dinheiro
Chegamos à parte que considero mais interessante da proposta do Kakebo: a reflexão.
Reserve uma página e responda a quatro perguntas:
Quanto dinheiro entrou e quanto saiu durante o mês?
Quanto consegui guardar ou quanto faltou para equilibrar o orçamento?
Quais gastos fizeram sentido e quais eu gostaria de repensar?
O que posso fazer de maneira diferente no próximo mês?
Você não precisa escrever respostas enormes.
Às vezes, algumas linhas já ajudam a perceber coisas que passaram despercebidas durante a correria.
Talvez você descubra que gosta de anotar tudo à mão.
Talvez prefira registrar os gastos no celular e usar o papel apenas para fazer uma análise semanal.
Ou perceba que uma organização muito detalhada acaba dificultando sua constância.
E tudo bem.
Porque agora você tem uma informação que não tinha antes de começar: sabe um pouco mais sobre o tipo de ferramenta que funciona para você.
Depois de 30 dias, como saber qual caderno Kakebo comprar?
Agora, sim, podemos voltar à pergunta que trouxe você até aqui.
Se você experimentou o método durante um mês, fica muito mais fácil comparar diferentes marcas e modelos de Kakebo.
Em vez de escolher apenas pela capa, observe o que realmente fez falta no seu caderno improvisado.
Se você percebeu que... | Procure um Kakebo que tenha... |
Gosta de registrar cada despesa | Espaço para anotações diárias |
Prefere analisar uma vez por semana | Resumos semanais bem organizados |
Precisa visualizar seus objetivos | Campos para metas e acompanhamento |
Gosta de escrever sobre suas decisões | Espaço para reflexões pessoais |
Costuma levar o caderno na bolsa | Formato compacto e resistente |
Tem dificuldade em manter o hábito | Páginas simples e preenchimento rápido |
Essa comparação não depende de uma marca específica.
Você pode encontrar características semelhantes em diferentes edições, inclusive em cadernos de planejamento financeiro que não utilizam o nome Kakebo.
O importante é observar as páginas internas antes de comprar.
Uma capa bonita pode chamar a atenção, mas é a organização das páginas que vai acompanhar você durante o mês inteiro.
E vale lembrar: um caderno mais caro não é necessariamente mais eficiente.
Se um modelo simples oferece tudo o que você precisa, não há motivo para gastar mais apenas porque outra versão parece mais sofisticada.
E se eu gostar do método, mas não quiser comprar um Kakebo?
Você pode continuar usando o caderno comum.
Simples assim.
O método não depende de uma marca, de um aplicativo ou de uma edição específica para ser colocado em prática.
Um Kakebo pronto pode oferecer praticidade, páginas organizadas e uma estrutura que facilite a rotina.
Mas isso não significa que ele seja indispensável.
Se você conseguiu acompanhar seus gastos, refletir sobre suas escolhas e organizar melhor o orçamento usando um caderno que já tinha, talvez tenha encontrado uma solução suficiente para o momento.
E existe algo interessante nisso.
Às vezes, procuramos uma ferramenta nova porque acreditamos que ela vai nos dar a motivação necessária para mudar um hábito.
Só que comprar uma ferramenta e construir um hábito são duas coisas diferentes.
O caderno pode ajudar. Mas ele não faz as anotações por você.
O melhor Kakebo é aquele que você realmente vai usar
Talvez você tenha chegado até aqui esperando descobrir qual marca de Kakebo deveria comprar.
E espero que agora tenha critérios melhores para fazer essa escolha.
Mas quero deixar uma última reflexão.
Quando o assunto é organização financeira, é muito fácil acreditar que estamos a uma compra de distância de finalmente colocar tudo em ordem.
Um aplicativo novo. Uma agenda diferente. Uma planilha mais bonita. Um caderno especialmente desenvolvido para controlar despesas.
Essas ferramentas podem ser úteis, claro.
Mas nenhuma delas substitui o exercício de olhar para o próprio dinheiro com atenção.
Por isso, antes de investir em um Kakebo, experimente o método por 30 dias.
Use o que você já tem. Faça suas anotações. Observe seus hábitos. Descubra o que funciona e o que precisa ser adaptado.
E, quando chegar a hora de escolher um caderno, você não estará comprando apenas porque alguém disse que aquele modelo é o melhor.
Estará escolhendo porque já sabe do que precisa.
No fim das contas, talvez a primeira economia que o Kakebo possa te ensinar seja justamente esta: não comprar uma coisa antes de descobrir se você realmente precisa dela.

