Recentemente, comecei a usar stablecoins na minha carteira pela Binance, e a experiência tem sido muito positiva. Eu já estudava o tema há algum tempo, mas nunca havia colocado essa estratégia em prática. O motivo era simples: sempre me senti confortável concentrando meus investimentos em ativos sólidos como Bitcoin e Ethereum, e não via sentido em ampliar a exposição para outras criptomoedas.
Isso mudou quando passei a entender melhor o papel das stablecoins. Apesar de estarem no universo das criptomoedas, elas funcionam de forma diferente dos criptoativos tradicionais. A ideia aqui não é buscar valorização, mas estabilidade. Por serem atreladas a moedas fortes, como o dólar, sofrem bem menos com oscilações de preço, o que muda completamente a forma como podem ser usadas em uma estratégia financeira, seja como caixa ou como parte da reserva de emergência.

O que é stablecoin?
Stablecoin é um tipo de criptoativo criado para manter o valor estável, geralmente atrelado a uma moeda forte, como o euro ou dólar. Diferente do Bitcoin ou do Ethereum, a stablecoin não existe para subir de preço, mas para funcionar como uma versão digital de uma moeda tradicional dentro do ecossistema cripto.
Na prática, quando você compra uma stablecoin atrelada ao dólar, a lógica é simples: 1 unidade tende a valer, aproximadamente, 1 dólar. Se o dólar sobe ou desce, a stablecoin acompanha. Já se o mercado cripto entra em forte volatilidade, ela tende a permanecer estável.
É justamente por isso que muita gente usa stablecoins como:
caixa para reserva de oportunidade
ponte entre um investimento e outro
proteção temporária contra oscilações do mercado
parte pontual da reserva de emergência (tema do artigo)
Vale reforçar um ponto importante: stablecoin não é investimento para ganhar dinheiro. Ela não paga juros automaticamente nem promete valorização. O valor está em estabilidade, liquidez (acesso 24/7) e praticidade, especialmente para quem quer se expor a uma moeda forte sem sair completamente do ambiente digital.
Apesar de estarem no universo das criptomoedas, as stablecoins cumprem um papel muito mais próximo do dinheiro do que de um ativo especulativo. E é exatamente essa diferença que faz com que elas tenham um uso estratégico, inclusive por pessoas mais experientes financeiramente.
Tem formas de ganhar dinheiro com stablecoin?
De forma direta: sim, existem maneiras de gerar retorno com stablecoins, mas é importante alinhar a expectativa. Stablecoin não foi criada para valorizar, então o ganho não vem da alta do ativo em si, como acontece com Bitcoin ou ações. O retorno costuma vir de duas frentes principais.
A primeira é o uso de produtos de rendimento, como o Earn da Binance. Nesses casos, você basicamente “empresta” suas stablecoins para a plataforma, que as utiliza em operações internas, e recebe um rendimento em troca. Não é renda fixa tradicional e, como qualquer aplicação financeira, envolve riscos, mas pode funcionar como uma forma de rentabilizar um capital que já estaria parado, mantendo liquidez e exposição a uma moeda forte.
A segunda forma de ganho é indireta, via valorização cambial. Para quem vive no Brasil, manter parte do dinheiro atrelada ao dólar ou euro pode gerar ganho quando o real se desvaloriza. Nesse cenário, a stablecoin não rende mais dólares, mas o valor em reais aumenta. Esse tipo de ganho não é garantido nem previsível, mas faz parte da lógica de quem usa stablecoins como proteção cambial.
Em termos de objetivo para preservar valor, a lógica se aproxima de produtos conservadores como o Tesouro Direto. Mas, na prática, stablecoins são criptoativos, sem garantia estatal e com riscos diferentes. Essa distinção é fundamental para entender onde elas fazem sentido dentro de uma estratégia financeira.
Por isso, quando falamos em “ganhar dinheiro” com stablecoin, o mais correto é pensar em rendimento moderado e proteção, e não em multiplicação de capital. Stablecoin funciona melhor como complemento estratégico.
Por que é tão conhecida entre os ricos?
Stablecoins são conhecidas entre pessoas de maior patrimônio não como investimento, mas como ferramenta financeira. Quem tem mais dinheiro costuma se preocupar menos em “multiplicar capital rapidamente” e mais em organizar, proteger e movimentar recursos com eficiência, e é nesse ponto que as stablecoins fazem sentido.
Elas permitem manter valores em uma moeda forte, com liquidez imediata, funcionamento 24 horas por dia e facilidade de movimentação internacional, sem depender de burocracias bancárias ou horários comerciais. Além disso, funcionam bem como caixa temporário, enquanto se espera uma oportunidade de investimento ou se reorganiza a carteira.
Outro ponto importante é a gestão de risco. Pessoas ricas raramente concentram tudo em um único lugar. Stablecoins entram como mais uma camada, ao lado de contas internacionais, renda fixa, ações e outros ativos. Não substituem essas estruturas, mas complementam.
Por isso, quando se diz que stablecoins são “conhecidas entre os ricos”, o que existe não é moda ou segredo, e sim uso estratégico. Elas resolvem problemas práticos de quem lida com volumes maiores de dinheiro, e essa lógica pode ser útil, em menor escala, também para quem está organizando melhor suas finanças.
Afinal, qual a stablecoin é preferida dos ricos?
Quando falamos em preferência entre pessoas de maior patrimônio, o nome que aparece com mais frequência é o USDC. Isso não acontece por promessa de rendimento ou “moda”, mas por uma combinação de transparência, previsibilidade e aceitação institucional. O USDC é emitido pela Circle e costuma ser associado a uma estrutura mais clara de reservas e auditorias, o que pesa bastante para quem lida com volumes maiores de dinheiro.
Isso não significa que outras stablecoins não sejam usadas. O USDT, por exemplo, emitido pela Tether, é a stablecoin mais negociada do mundo e tem enorme liquidez global. Ainda assim, investidores mais conservadores tendem a ser mais cautelosos com ele, especialmente para manter valores parados por períodos mais longos.
No fim das contas, a “preferência” não está ligada a nome ou marca, mas à confiança operacional. Pessoas com maior patrimônio tendem a escolher stablecoins que ofereçam clareza sobre o lastro, facilidade de conversão e menor risco de surpresas. Nesse contexto, o USDC aparece com mais frequência porque a Circle informa que quase 100% das reservas são mantidas em títulos do Tesouro americano de curto prazo e caixa, trazendo mais previsibilidade e transparência. Já o USDT, embora tenha enorme liquidez global, possui uma estrutura de reservas mais diversificada e menos detalhada publicamente, o que costuma gerar mais cautela entre investidores conservadores. Por isso, em contextos de gestão de patrimônio e valores mais elevados, o USDC tende a ser preferido para manter recursos parados por mais tempo.
O gráfico abaixo mostra que o USDC se mantém praticamente em US$ 1 ao longo dos últimos 10 anos, com variações raras e pontuais que se ajustam rapidamente.

Posso usar como reserva de emergência?
A resposta curta é: depende, e com cautela. Stablecoins não substituem uma reserva de emergência tradicional, mas podem complementar em alguns casos. Como funcionam 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados, elas oferecem liquidez imediata, que pode ser superior à de produtos tradicionais como CDBs com liquidez diária e o Tesouro Selic, que dependem de dias e horários úteis.
Ainda assim, é importante lembrar que stablecoins são criptoativos, sem garantia estatal e com características diferentes dos produtos bancários tradicionais. Existem considerações operacionais, como dependência da plataforma, ambiente regulatório e funcionamento técnico. Por isso, usar 100% da reserva de emergência em stablecoin não é uma boa ideia.
Um uso mais equilibrado costuma ser manter a maior parte da reserva em instrumentos tradicionais, como CDBs e Tesouro Selic, e uma parcela limitada, de até 40%, em stablecoins, para quem entende essa dinâmica e valoriza liquidez imediata, diversificação e exposição cambial.
Em resumo: stablecoins podem ser uma excelente aliada na organização da reserva de emergência, desde que usadas com bom senso. Elas funcionam melhor como complemento estratégico, somando liquidez e flexibilidade, e não como a única solução.
No final, stablecoin vale a pena?
Com o tempo, as stablecoins passaram a ocupar um espaço mais prático na organização financeira. Entre pessoas de maior patrimônio, o USDC é bastante usado não como investimento, mas como ferramenta para guardar e movimentar dinheiro com eficiência, principalmente pela previsibilidade e pela forma como suas reservas são estruturadas.
Para a classe média, a lógica é parecida, mas em menor escala. Usada com bom senso, a stablecoin pode complementar a reserva de emergência, trazendo mais liquidez, flexibilidade e exposição ao dólar, sem substituir totalmente os instrumentos tradicionais.
No fim, a ideia não é copiar o que os ricos fazem, mas entender o motivo. Stablecoins não prometem ganhos rápidos, mas ajudam a resolver questões práticas do dia a dia financeiro. Quando usadas como complemento, podem fazer parte de uma estratégia simples, equilibrada e consciente.



